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Justiça obriga condomínio de Cuiabá a proteger gatos comunitários após chacina com chumbinho

Síndico foi acusado de omissão após morte de animais e resistência em aprovar auxílio mensal de apenas R$ 5 para alimentação e higiene dos felinos

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A Justiça determinou que um condomínio de Cuiabá passe a assumir a responsabilidade pelo cuidado dos gatos comunitários que vivem nas áreas comuns do residencial Morada da Serra IV. A decisão foi proferida pelo juiz Emerson Luiz Pereira Cajango, da Vara Especializada em Meio Ambiente de Cuiabá, após uma ação movida por uma moradora que denunciou episódios de maus-tratos, envenenamento de animais e omissão da administração do condomínio.

A sentença condenou o residencial a custear a alimentação básica e a higiene dos felinos, além de impedir qualquer tentativa de remoção forçada dos animais. O condomínio também deverá realizar o cadastramento de pelo menos um tutor responsável pelos gatos existentes nas áreas comuns.

A ação foi apresentada por uma moradora contra o condomínio e o síndico John Lennon Nascimento da Costa. Segundo a autora, documentos, atas de assembleias, áudios e laudos veterinários comprovaram um cenário de hostilidade contra os animais e contra moradores que tentavam oferecer água e comida aos gatos.

O caso ganhou maior gravidade em junho de 2025, quando diversos animais foram vítimas de envenenamento criminoso por meio do uso de “chumbinho”, substância proibida para esse tipo de utilização e frequentemente associada a mortes de animais domésticos. De acordo com a denúncia, vários gatos morreram e outros precisaram de atendimento veterinário. Um boletim de ocorrência foi registrado.

Segundo a moradora, mesmo após o episódio, o condomínio não teria adotado medidas para apurar o crime ambiental ou proteger os animais sobreviventes. Ela afirmou que arcou sozinha com resgates, tratamentos veterinários e cuidados emergenciais.

Antes do processo judicial, a moradora teria tentado uma solução administrativa. Ela apresentou uma proposta de alteração do regimento interno e um orçamento considerado baixo para alimentação e higiene dos animais, com custo estimado em apenas R$ 5 por unidade condominial. A proposta chegou a ser aceita inicialmente pelo síndico, mas, conforme relatado no processo, acabou sendo rejeitada após resistência de parte dos moradores.

Na decisão, o juiz reconheceu a omissão administrativa do condomínio diante dos episódios de maus-tratos e destacou que a legislação estadual estabelece deveres de proteção aos animais. O magistrado citou a Lei Estadual nº 12.391/2024, que determina que síndicos comuniquem às autoridades suspeitas ou evidências de maus-tratos em áreas sob responsabilidade do condomínio.

Para Cajango, a justificativa de falta de orçamento não poderia ser utilizada para negar assistência mínima aos animais que estavam sob responsabilidade da administração do residencial.

“A alegação de déficit orçamentário para negar assistência a animais envenenados nas dependências comuns é incompatível com a ética da alteridade”, afirmou o juiz na sentença.

O magistrado também destacou que o condomínio possui despesas com manutenção e serviços administrativos e que o custeio básico para evitar sofrimento ou morte de animais não representa desperdício de recursos, mas sim cumprimento de uma obrigação ambiental.

Além do pagamento das despesas com alimentação e higiene, os valores deverão ser incluídos nas despesas ordinárias do condomínio, com rateio entre os moradores. A decisão ainda determina que o residencial regulamente a convivência com os animais e garanta proteção aos cuidadores responsáveis pelos gatos comunitários.

A sentença representa mais um caso em que a Justiça reconhece a responsabilidade de condomínios sobre animais comunitários que vivem em áreas coletivas, reforçando que práticas de abandono, remoção irregular ou maus-tratos podem gerar consequências legais.

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Elefanta resgatada do Beto Carrero World terá novo lar no Santuário de Elefantes Brasil, em Mato Grosso

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O Santuário de Elefantes Brasil (SEB), localizado em Chapada dos Guimarães, está prestes a receber mais uma moradora. A elefanta Baby, que vivia no parque Beto Carrero World, já está em viagem e deve chegar a Mato Grosso nos próximos dias, onde iniciará uma nova etapa de sua vida em um ambiente voltado ao acolhimento e à reabilitação de elefantes resgatados.

Reconhecido internacionalmente pelo trabalho desenvolvido na proteção e recuperação desses animais, o SEB oferece condições que permitem aos elefantes viverem com mais liberdade, segurança e qualidade de vida. Grande parte dos moradores do santuário passou décadas em cativeiros, circos ou outras situações que comprometeram seu bem-estar físico e emocional.

Na Chapada dos Guimarães, os animais encontram um refúgio cercado pela natureza, onde podem viver em regime de semiliberdade, expressando comportamentos naturais que muitas vezes foram limitados ao longo da vida.

Um refúgio para histórias de superação

A chegada de Baby reforça a missão do santuário, que já abriga elefantes resgatados de diferentes países da América do Sul. Entre seus moradores estão animais provenientes da Argentina e do Uruguai, todos com trajetórias marcadas por desafios e processos de adaptação.

No local, os elefantes recebem acompanhamento veterinário especializado, alimentação adequada às suas necessidades e acesso a amplas áreas naturais, fundamentais para a recuperação física e emocional.

Segundo os responsáveis pelo santuário, cada resgate representa uma oportunidade de oferecer aos animais uma vida mais próxima de suas necessidades naturais, especialmente na fase da velhice, quando muitos chegam ao espaço após anos de exploração ou confinamento.

Operação exige planejamento e cuidados especiais

A transferência de um elefante envolve uma operação logística complexa e cuidadosamente planejada. O transporte de Baby mobiliza equipes técnicas especializadas e requer autorizações de órgãos ambientais, além do uso de uma caixa de transporte desenvolvida especialmente para garantir a segurança do animal durante todo o percurso.

Ao longo da viagem, profissionais monitoram constantemente as condições da elefanta, acompanhando sua saúde, alimentação e comportamento para assegurar uma chegada tranquila ao novo lar.

Com a chegada de Baby, o Santuário de Elefantes Brasil fortalece seu papel como referência internacional na proteção e recuperação de elefantes em situação de vulnerabilidade, consolidando Mato Grosso como um importante centro de conservação e bem-estar animal na América Latina.

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