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Abilio não consegue suspender regra que trava reeleição de Paula Calil

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A desembargadora Nilza Maria Pôssas de Carvalho, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), negou o pedido de liminar apresentado pelo prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), que buscava suspender dispositivos do Regimento Interno da Câmara Municipal que exigem o voto favorável de dois terços dos vereadores para a aprovação e alteração de determinadas matérias. A decisão foi proferida na segunda-feira (13).

A ação foi proposta pelo Município de Cuiabá, por meio da Procuradoria-Geral do Município (PGM), que pede a declaração de inconstitucionalidade de 11 incisos do artigo 177 do Regimento Interno da Câmara. Segundo o Executivo, a exigência de quórum qualificado contraria a Constituição Federal, a Constituição Estadual e a Lei Orgânica do Município, que adotam como regra a aprovação de matérias por maioria simples.

Mudança poderia abrir caminho para reeleição na Câmara

Na prática, caso o pedido fosse acolhido, alterações no próprio Regimento Interno também poderiam ser aprovadas por maioria simples. Isso abriria caminho para modificar a norma que atualmente impede a reeleição consecutiva da presidente da Câmara Municipal, Paula Calil (PL), dentro da mesma legislatura.

A discussão ocorre em meio às articulações políticas para a sucessão da Mesa Diretora da Casa.

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Justiça vê ausência de urgência

Ao analisar o pedido, a desembargadora concluiu que não estavam presentes os requisitos necessários para a concessão da medida liminar, especialmente o risco de dano imediato.

Na decisão, a magistrada destacou que os dispositivos questionados estão em vigor desde 2016 e produziram efeitos durante aproximadamente dez anos sem que o Município tivesse recorrido ao Judiciário.

“Quando a norma impugnada vigora há uma década sem que o requerente tenha demonstrado qualquer prejuízo concreto e irreparável decorrente de sua aplicação nesse extenso período, a urgência que justificaria a concessão da medida simplesmente não se verifica”, afirmou a desembargadora.

Ela também rejeitou o argumento de que a tramitação de um projeto de resolução que trata da recondução da Mesa Diretora justificaria uma intervenção urgente do Poder Judiciário.

Segundo a magistrada, a discussão envolve matéria interna do Poder Legislativo e, por si só, não representa dano irreparável ao Município de Cuiabá.

Processo continuará tramitando

Outro ponto destacado na decisão é que a própria ação teve origem após uma consulta da Presidência da Câmara ao chefe do Executivo, o que, segundo a relatora, demonstra que não houve uma situação de emergência institucional.

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Com a negativa da liminar, permanecem válidas as atuais regras do Regimento Interno da Câmara Municipal. O processo, entretanto, seguirá sua tramitação normal no Tribunal de Justiça.

A desembargadora determinou a intimação da Câmara Municipal para apresentar informações. Na sequência, os autos serão encaminhados ao Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) antes do julgamento definitivo pelo Órgão Especial do TJMT.

Entenda o caso

A Prefeitura de Cuiabá protocolou a ação no último dia 6, sustentando que a exigência de apoio de dois terços dos vereadores cria uma “supermaioria” sem previsão constitucional, permitindo que uma minoria de parlamentares impeça a aprovação de matérias consideradas de interesse da administração municipal.

Nos bastidores, a iniciativa também tem reflexos diretos na disputa pelo comando da Câmara. Atualmente, Paula Calil conta com o apoio declarado de 14 dos 25 vereadores para permanecer na presidência da Casa. No entanto, para alterar o Regimento Interno e autorizar uma reeleição consecutiva na mesma legislatura, seriam necessários pelo menos 17 votos, conforme a regra atualmente em vigor.

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Encontro reservado entre Pivetta e Jayme movimenta bastidores da sucessão em Mato Grosso

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O governador em exercício Otaviano Pivetta (Republicanos) e o senador Jayme Campos (União Brasil), ambos apontados como pré-candidatos ao Governo de Mato Grosso em 2026, se reuniram no último sábado (11), em Cuiabá, para discutir uma possível composição política visando a sucessão estadual.

O encontro ocorreu no edifício Royal President, no bairro Quilombo, onde os dois líderes políticos residem. Apesar da conversa, não houve definição sobre uma eventual aliança, mas ambos assumiram o compromisso de manter o diálogo nas próximas semanas.

A reunião aconteceu um dia após Pivetta e Jayme participarem da abertura oficial da 58ª Expoagro, na Capital. Na ocasião, os dois conversaram rapidamente sobre o cenário político estadual e acertaram o encontro reservado para o dia seguinte.

Nos bastidores, Otaviano Pivetta trabalha para reeditar a aliança vitoriosa formada em 2018 e 2022, quando integrou a chapa liderada pelo governador Mauro Mendes (União Brasil) na condição de vice-governador. A estratégia do republicano é unir Republicanos e União Brasil em torno de um projeto comum para a disputa pelo Palácio Paiaguás.

Em um dos cenários debatidos, Pivetta seria o candidato ao Governo do Estado, enquanto Mauro Mendes e Jayme Campos disputariam as duas vagas ao Senado Federal em 2026. O Progressistas (PP), que integra federação com o União Brasil, ficaria responsável pela indicação do candidato a vice-governador, tendo a ex-senadora Margareth Buzetti como um dos nomes mais cotados.

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MDB entra no radar das articulações

Apesar das tratativas, o cenário político ainda é considerado complexo. Jayme Campos mantém sua pré-candidatura ao Governo do Estado e já declarou publicamente que está disposto a dialogar com diferentes grupos políticos, sem abrir mão de seu projeto de disputar o comando do Palácio Paiaguás.

A eventual candidatura do senador também encontra respaldo em parte das lideranças do União Brasil e do MDB. A deputada estadual Janaina Riva (MDB), que também é apontada como pré-candidata ao Senado, defende a participação do MDB na chapa majoritária e vê Jayme como um aliado natural em uma possível composição eleitoral.

Contudo, a definição sobre o posicionamento do MDB deverá ocorrer apenas durante o período das convenções partidárias, previsto entre os dias 20 de julho e 5 de agosto.

Convenção do União Brasil pode definir rumos da disputa

Enquanto as negociações avançam, Jayme Campos segue fortalecendo sua pré-candidatura dentro do União Brasil. O senador afirma contar com o apoio da maioria dos convencionais do partido em Mato Grosso.

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A convenção estadual da sigla está marcada para o próximo dia 30 de julho e pode ser decisiva para o futuro político do grupo governista.

Interlocutores de Jayme afirmam que, caso obtenha vitória na convenção, o senador estaria disposto a liberar os dissidentes do partido para apoiar uma eventual candidatura de Pivetta ao Governo do Estado. Por outro lado, se for derrotado, pretende recorrer ao Diretório Nacional do União Brasil para defender a tese de candidatura própria da legenda em Mato Grosso.

Com as convenções partidárias se aproximando, o encontro entre Pivetta e Jayme sinaliza que as articulações para a disputa de 2026 começam a ganhar intensidade, embora o desenho final das alianças ainda permaneça indefinido.

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