O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) anunciou nesta terça-feira (2) a abertura de uma investigação para apurar possíveis irregularidades envolvendo a clínica Pró-Vida, em Cuiabá, onde um paciente de 38 anos morreu no último domingo (31).
A vítima, identificada como Alessandro Sidinei Braga, foi encontrada morta em um dos quartos da unidade, localizada no bairro Jardim Primavera. O principal suspeito do crime é Odiley Rodrigues de Souza, de 42 anos, que atuava como plantonista no local.
Segundo as investigações da Polícia Civil, Alessandro foi morto por enforcamento durante um suposto surto. Inicialmente, o caso foi apresentado como suicídio, mas a apuração apontou que a cena teria sido alterada para simular que a vítima tirou a própria vida.
Em depoimento, Odiley confessou ter participado da montagem da cena para aparentar um suicídio, mas negou ter cometido o enforcamento. A Polícia Civil, no entanto, segue investigando sua participação direta na morte do paciente.
Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi a constatação de que o suspeito não possuía formação adequada para atuar na unidade. Além disso, ele era paciente de outra clínica especializada.
Durante o atendimento da ocorrência, a Polícia Civil também verificou que não havia no local profissionais especializados no atendimento de pacientes com transtornos psiquiátricos graves, como esquizofrenia, condição atribuída à vítima.
Em nota, o CRM-MT informou que tomou conhecimento do caso por meio das reportagens divulgadas pela imprensa. Após consulta em seus registros, o Conselho afirmou não ter localizado cadastro da empresa com os nomes que vêm sendo divulgados em relação ao estabelecimento.
Diante da situação, a autarquia informou que solicitará informações complementares à Polícia Civil, incluindo dados cadastrais da instituição, como o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), para verificar a regularidade do funcionamento da clínica.
O objetivo da investigação é apurar se o estabelecimento possuía as autorizações necessárias para operar, além de verificar a existência de profissionais habilitados e regularmente registrados para prestar atendimento aos pacientes.
“O Conselho irá analisar todas as informações disponíveis antes de definir as medidas cabíveis”, informou o órgão.
O caso ganhou ampla repercussão após a revelação das circunstâncias da morte de Alessandro Sidinei Braga. Paralelamente à investigação administrativa do CRM-MT, a Polícia Civil continua apurando a responsabilidade criminal dos envolvidos e as condições de funcionamento da clínica.
O Conselho Regional de Medicina também orientou pacientes e familiares a consultarem a regularidade de clínicas, hospitais e profissionais de saúde por meio do sistema nacional de busca disponível no site da entidade.
Jornalista: Luan Schiavon
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