O julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, conhecido como Carlinhos Bezerra, ganhou novos desdobramentos nesta quinta-feira (31), com a revelação de que o réu realizou 914 ligações telefônicas para a ex-namorada Thays Machado em apenas 18 dias, período que antecedeu o assassinato dela e do namorado, Willian César Moreno, em janeiro de 2023.
A informação foi apresentada pela investigadora da Polícia Civil Lívia Cristina Silva Sales, responsável pela extração de dados dos quatro celulares apreendidos com o acusado. Segundo a policial, as chamadas ocorreram entre 31 de dezembro de 2022 e 18 de janeiro de 2023, data do duplo homicídio, resultando em uma média superior a 50 ligações por dia.
De acordo com a investigadora, Thays recusava todas as tentativas de contato e reafirmava que o relacionamento havia chegado ao fim. A perícia também apontou que Carlinhos chegou a pagar R$ 550 a uma cigana na tentativa de reatar o namoro.
Durante o interrogatório, o réu confirmou que mantinha um caderno onde registrava contatos relacionados à ex-companheira. Segundo ele, havia anotações com nomes e números de pessoas que conversavam com Thays, incluindo a observação sobre um homem que, conforme escreveu, “não conhece a Thays”.
Apesar da admissão, Carlinhos negou que utilizasse essas informações para telefonar aos contatos da vítima ou que monitorasse sua localização por meio de aplicativos sem autorização. Questionado sobre a dificuldade em aceitar o fim do relacionamento, afirmou que “estava com dificuldade de aceitar o término por ser canceriano”.
Versão apresentada pelo réu
Ao prestar depoimento ao Conselho de Sentença, Carlinhos negou que estivesse perseguindo Thays e Willian no dia do crime. Segundo sua versão, ele passava de carro em frente ao prédio onde mora a mãe da ex-namorada, fez o retorno e estacionou a cerca de três metros para perguntar por que ela não atendia suas ligações.
O acusado afirmou que Willian teria caminhado em direção ao veículo, proferido ofensas e tentado agredi-lo. Disse que temeu sofrer um golpe conhecido como “mata-leão” e, por isso, sacou a arma e efetuou os disparos ainda de dentro do carro.
Ele também admitiu que possuía apenas o registro antigo da arma utilizada no crime, sem porte legal, e declarou que nunca havia treinado em estandes de tiro.
“Se ela deixasse a chave cair”
Na tentativa de afastar a tese de premeditação, Carlinhos afirmou que o crime poderia não ter acontecido por questão de segundos.
“Se ela tivesse deixado cair a chave no chão, em dois segundos evitaria o crime”, declarou aos jurados. Em seguida, acrescentou que, “se tivesse ido a 5 km/h a mais, não teria visto e o crime não teria acontecido”.
O réu ainda negou ter arrombado o apartamento de Thays semanas antes dos assassinatos. Segundo ele, a fechadura já estava danificada e ele apenas empurrou a porta para recuperar um celular que havia esquecido no imóvel.
Investigação
As investigações apontam que Carlinhos Bezerra não aceitava o fim do relacionamento e monitorava a rotina da ex-companheira. Conforme a Polícia Civil, foram encontrados 71 registros de localização de lugares frequentados por Thays, dados que eram baixados no celular e posteriormente impressos.
Os investigadores também concluíram que os programas de monitoramento foram instalados ainda durante o relacionamento. Antes do crime, Thays já havia registrado boletim de ocorrência contra o ex-companheiro.
O crime
Thays Machado e o namorado, Willian César Moreno, foram mortos a tiros na manhã de 18 de janeiro de 2023, em frente ao Edifício Solar Monet, no bairro Consil, em Cuiabá.
Carlinhos Bezerra, filho do ex-governador e ex-deputado federal Carlos Bezerra, responde pelo duplo homicídio. O julgamento prossegue no Tribunal do Júri de Cuiabá com a oitiva de testemunhas e análise das provas apresentadas pela acusação e pela defesa.
Jornalista: Luan Schiavon
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