Policial

Motorista de BMW que matou motociclista é preso em Cuiabá após prestar depoimento

Hercílio Junio Freitas Cordeiro, de 22 anos, ficou em silêncio na Deletran; radar registrou veículo a 177 km/h minutos antes da colisão fatal

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Menos de 24 horas após se apresentar à Delegacia Especializada de Delitos de Trânsito (Deletran) e permanecer em silêncio durante o depoimento, Hercílio Junio Freitas Cordeiro, de 22 anos, foi preso preventivamente pela Polícia Civil na manhã deste sábado (5), em Cuiabá.

Hercílio é apontado como o motorista da BMW envolvida em dois acidentes na madrugada do último domingo (30), na avenida Isaac Póvoas. Em uma das colisões, o motociclista Paulo Messias Simão Costa, de 23 anos, morreu.

A prisão preventiva foi cumprida pela equipe do delegado Christian Cabral, um dia depois de Hercílio comparecer espontaneamente à Deletran, fora da situação de flagrante. Ele estava acompanhado do advogado Willy Jacyntho Taborelli e de dois homens que atuavam como seus seguranças.

Durante o depoimento, o motorista optou por permanecer em silêncio.

Na saída da delegacia, houve tumulto. Um dos seguranças empurrou o cinegrafista Marcos Xavier, da TV Vila Real. O profissional caiu e sofreu ferimentos leves no joelho e no cotovelo.

BMW estava a 177 km/h

A investigação ganhou um elemento importante com os dados registrados por um radar da Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob). O equipamento flagrou a BMW a 177 km/h, minutos antes do acidente que resultou na morte de Paulo Messias.

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O registro ocorreu às 0h45, no cruzamento da avenida Isaac Póvoas com a rua Barão de Melgaço, no sentido Centro. A velocidade máxima permitida no trecho é de 50 km/h.

Embora a velocidade medida tenha sido de 177 km/h, para fins de autuação foi considerada a marca de 165 km/h. O número representa 115 km/h acima do limite permitido e configura infração por transitar em velocidade superior à máxima permitida em mais de 50%.

Dois acidentes em sequência

Segundo as investigações da Polícia Civil, Hercílio estava em uma boate na região central de Cuiabá antes dos acidentes. Ele teria se envolvido em uma confusão no estabelecimento, sido retirado do local e, posteriormente, deixado a boate conduzindo a BMW em alta velocidade.

O primeiro acidente ocorreu na avenida Isaac Póvoas, quando o veículo atingiu outro motociclista. A vítima foi socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhada para atendimento médico.

Pouco tempo depois, ainda na mesma avenida, no cruzamento com a avenida Joaquim Murtinho, a BMW colidiu com a motocicleta conduzida por Paulo Messias.

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Com o impacto, o jovem foi arremessado e morreu ainda no local.

Após a colisão, Hercílio abandonou a BMW em frente à Santa Casa de Misericórdia e fugiu a pé.

Investigação apura consumo de álcool

Além das circunstâncias dos acidentes, a Polícia Civil também investiga se Hercílio havia ingerido bebida alcoólica antes de assumir a direção.

Segundo informações repassadas pela esposa do motorista aos investigadores, ele teria consumido álcool antes de deixar a boate.

Outro ponto que integra a investigação é que Hercílio não possui Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

A defesa havia informado na quinta-feira (3) que o jovem compareceria à Deletran para prestar esclarecimentos. Na ocasião, os advogados alegaram que ele ainda não havia sido ouvido por “motivos alheios à sua vontade”.

Com a prisão preventiva, Hercílio permanece à disposição da Justiça enquanto a Polícia Civil dá continuidade às investigações para esclarecer as circunstâncias dos dois acidentes e definir as responsabilidades criminais pelos fatos.

Jornalista: Luan Schiavon

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Policial

STJ rejeita recurso de Carlinhos Bezerra e mantém condenação de 36 anos por mortes em Cuiabá

Defesa alegava que repercussão do caso e comoção social teriam comprometido a imparcialidade dos jurados; Sexta Turma entendeu que não houve provas concretas de parcialidade

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A Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) rejeitou o recurso apresentado pela defesa de Carlos Alberto Gomes Bezerra, conhecido como Carlinhos Bezerra, e manteve o entendimento de que não houve comprometimento da imparcialidade dos jurados que participaram do Tribunal do Júri em Cuiabá.

A decisão, tomada por unanimidade, foi publicada nesta sexta-feira (4). O julgamento ocorreu após a defesa questionar a realização do júri na Capital e alegar que a ampla repercussão do caso teria criado um ambiente de pré-julgamento contra o acusado.

Carlinhos foi condenado a 36 anos de prisão pela morte da ex-companheira, Thays Machado, e de Willian César Moreno, crimes ocorridos em janeiro de 2023, em Cuiabá.

Defesa alegou pressão sobre jurados

No recurso apresentado ao STJ, os advogados sustentaram que a intensa cobertura da imprensa e manifestações nas redes sociais teriam ultrapassado os limites da divulgação jornalística e criado um ambiente de hostilidade contra o acusado.

A defesa também citou manifestações públicas de integrantes do Poder Judiciário e a criação de um núcleo de enfrentamento à violência doméstica com o nome de Thays Machado. Para os advogados, esses fatores poderiam comprometer a isenção do Conselho de Sentença.

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Com base nesses argumentos, a defesa buscava o reconhecimento de que o julgamento realizado em Cuiabá teria sido prejudicado pela repercussão do caso.

Ministro rejeitou argumento

Relator do processo, o ministro Og Fernandes rejeitou a tese defensiva.

Segundo o magistrado, a existência de comoção social e repercussão midiática em crimes de grande gravidade não é suficiente, por si só, para demonstrar que os jurados perderam a capacidade de julgar o caso de maneira imparcial.

Para o ministro, seria necessário apresentar elementos concretos e atuais capazes de demonstrar efetivo comprometimento da isenção do Conselho de Sentença.

Og Fernandes também destacou que a análise pretendida pela defesa exigiria uma reavaliação do conjunto de provas, o que não seria possível no instrumento utilizado no recurso.

Condenação permanece

O Tribunal do Júri de Cuiabá reconheceu as qualificadoras apresentadas no processo e condenou Carlinhos Bezerra a 36 anos de prisão.

No caso de Willian César Moreno, foram reconhecidos pelos jurados o motivo torpe, o emprego de meio cruel e o recurso que dificultou a defesa da vítima.

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Já em relação a Thays Machado, o Conselho de Sentença reconheceu, além do motivo torpe, do emprego de meio cruel e do recurso que dificultou a defesa, a qualificadora de feminicídio praticado em contexto de violência doméstica e de gênero.

Com a decisão da Sexta Turma do STJ, permanece válida a conclusão de que não houve demonstração concreta de parcialidade dos jurados.

Carlinhos Bezerra continua preso para cumprimento da pena.

Relembre o caso

Thays Machado e Willian César Moreno foram mortos a tiros em janeiro de 2023, no bairro Consil, em Cuiabá.

Segundo a acusação, Carlinhos não aceitava o fim do relacionamento com Thays e teria monitorado a rotina da ex-companheira antes do crime.

O caso teve grande repercussão em Mato Grosso e passou por diversas etapas judiciais antes da realização do Tribunal do Júri, que terminou com a condenação do empresário.

Jornalista: Mika Sbardelott

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