Policial

Procurador-geral de MT pede exoneração um dia após ser alvo da Operação Heritage

rancisco Lopes foi alvo de medidas autorizadas pelo STF em investigação sobre acordo de R$ 308 milhões entre o Governo de Mato Grosso e a Oi; governador Pivetta nomeou Felipe Florêncio para comandar a PGE

Published

on

O procurador-geral do Estado de Mato Grosso, Francisco de Assis da Silva Lopes, pediu exoneração do cargo de chefia da Procuradoria-Geral do Estado (PGE) nesta sexta-feira (7), um dia após ser alvo da Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal para investigar suspeitas relacionadas a um acordo de R$ 308 milhões firmado entre o Governo de Mato Grosso e a operadora de telefonia Oi.

O pedido de exoneração foi aceito pelo governador Otaviano Pivetta (Republicanos), que nomeou o procurador Felipe Florêncio para assumir o comando da PGE.

Ao anunciar a saída de Francisco Lopes, Pivetta fez um agradecimento público ao ex-procurador-geral e destacou sua trajetória à frente da instituição.

“Nós todos que conhecemos você sabemos o quanto você serviu esse Estado, teu caráter irretocável, a lealdade ao povo de Mato Grosso”, declarou o governador.

Alvo de medidas autorizadas pelo STF

Francisco Lopes foi um dos alvos das medidas cautelares autorizadas pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da investigação que apura possíveis crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, peculato, lavagem de dinheiro e uso indevido de informação privilegiada.

A operação cumpriu 25 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso, São Paulo, Rondônia e Ceará. Também foram determinadas medidas como quebra de sigilos, bloqueio de bens de até R$ 316 milhões, recolhimento de passaportes e outras cautelares.

Apesar de ter sido alvo da investigação, Francisco Lopes não foi afastado da função por determinação judicial. Ao analisar o pedido da Polícia Federal, Flávio Dino rejeitou o afastamento do então procurador-geral.

“Indefiro o pedido de suspensão do exercício da função pública”, registrou o ministro em sua decisão.

A decisão também alcançou outros investigados.

Acordo de R$ 308 milhões com a Oi

Segundo a decisão do STF, a investigação está relacionada a um termo de autocomposição firmado em abril de 2024 entre o Estado de Mato Grosso e a Oi S.A.

Leia Também:  Mulher morre após ser esmagada por caminhonete enquanto retirava entulhos

Pelo acordo, o Estado reconheceu a inconstitucionalidade de uma cobrança tributária e assumiu o compromisso de devolver aproximadamente R$ 308,1 milhões. Conforme descrito na decisão, o pagamento seria realizado diretamente ao escritório Ricardo Almeida Advogados Associados, sem utilização do regime constitucional de precatórios.

O documento contou com a assinatura de Francisco Lopes e de outros procuradores do Estado.

A Polícia Federal sustenta que, durante a negociação, a PGE teria deixado de considerar teses jurídicas favoráveis ao Estado e aponta circunstâncias que, na avaliação dos investigadores, poderiam indicar parcialidade na atuação.

Entre os pontos levantados estão um cálculo de restituição considerado elevado, a rapidez na tramitação do acordo, questionamentos sobre a utilização do regime de precatórios e dúvidas quanto à competência da PGE para formalizar o acordo tributário.

As suspeitas, contudo, fazem parte da investigação e ainda deverão ser analisadas pela Justiça, não representando condenação ou conclusão definitiva sobre a responsabilidade dos investigados.

Investigação aponta movimentações financeiras

A decisão de Flávio Dino também relata que, após a assinatura do acordo, os pagamentos teriam sido direcionados para fundos de investimento.

Segundo a Polícia Federal, essa estrutura financeira poderia ter dificultado o rastreamento dos recursos.

Para os investigadores, existem indícios de que o acordo possa ter sido utilizado para viabilizar o desvio de mais de R$ 300 milhões em recursos públicos, por meio de uma sequência de operações financeiras.

O caso ainda está sob investigação.

Outros nomes são investigados

Além de Francisco Lopes, a Operação Heritage alcançou outras pessoas ligadas ao acordo e às negociações.

Entre os investigados estão o ex-governador Mauro Mendes (União Brasil), o deputado federal Fábio Garcia (União Brasil), procuradores da PGE, além do desembargador Ricardo Gomes de Almeida e do conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) Ulisses Rabaneda dos Santos.

Leia Também:  Defesa de Ulisses Rabaneda diz que honorários foram legais e declarados após operação da PF

Ricardo Gomes de Almeida e Ulisses Rabaneda atuaram como advogados na negociação do acordo antes de assumirem os cargos que ocupam atualmente.

As suspeitas atribuídas a cada investigado ainda serão objeto de apuração no curso da investigação.

APROMAT defende atuação dos procuradores

Em nota, a Associação dos Procuradores do Estado de Mato Grosso (APROMAT) afirmou confiar na atuação técnica e ética dos procuradores e ressaltou que os atos praticados no caso decorreram, segundo a entidade, do exercício regular das atribuições constitucionais e legais da carreira.

A associação defendeu que os fatos sejam analisados com serenidade e respeito ao devido processo legal, evitando conclusões antecipadas antes da conclusão das investigações.

A APROMAT também destacou que a PGE tem colaborado com as autoridades responsáveis pela apuração, fornecendo documentos e informações solicitadas.

A entidade afirmou ainda confiar no esclarecimento dos fatos e reforçou a importância da independência técnica dos membros da Advocacia Pública.

PGE afirma que irá colaborar com investigação

Em manifestação oficial, a própria Procuradoria-Geral do Estado declarou confiar nas investigações conduzidas pela Polícia Federal e afirmou que irá fornecer todas as informações solicitadas pelas autoridades.

Nota da PGE:

“Sobre a operação da Polícia Federal, a Procuradoria Geral do Estado (PGE) esclarece que: Confia nas investigações da Polícia Federal e irá contribuir com tudo que for requerido. Aguarda com naturalidade o desdobramento da investigação, pois acredita que o caso será totalmente esclarecido.”

Com a saída de Francisco Lopes, Felipe Florêncio passa a comandar a Procuradoria-Geral do Estado em meio ao avanço das investigações sobre o acordo firmado com a Oi.

O caso continua sob apuração e deverá avançar conforme a análise das provas e das medidas determinadas pelo Supremo Tribunal Federal.

Jornalista: Luan Schiavon

📲 Clique aqui e receba notícias do VOZMT no seu celular

Advertisement
Click to comment

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Policial

MP aponta infiltrações, risco de incêndio e pede fechamento da Rodoviária do Coxipó

Published

on

O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) ingressou com uma ação civil pública contra a Agência de Regulação dos Serviços Públicos Delegados (Ager-MT) e o Estado de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra), para que a Justiça determine a regularização ou até mesmo a interrupção das atividades do ponto de embarque e desembarque conhecido como Rodoviária do Coxipó, em Cuiabá.

Segundo o MP, o espaço apresenta uma série de irregularidades estruturais, de segurança, higiene, acessibilidade e conservação, além de operar sem autorização administrativa formal vigente, colocando em risco milhares de usuários do transporte rodoviário intermunicipal.

Relatórios apontam diversas irregularidades

De acordo com a ação, inspeções técnicas identificaram infiltrações, trincas, má conservação da estrutura, falhas na prevenção e combate a incêndios, problemas nas instalações elétricas e hidráulicas, ausência de acessibilidade adequada, mobiliário inadequado e sinalização deficiente.

A ação é resultado de um inquérito civil instaurado em 2022 após denúncia da Sinart, concessionária responsável pela administração da Rodoviária Engenheiro Cássio Veiga de Sá, em Cuiabá.

A empresa informou ao Ministério Público que o local realizava embarques, desembarques e comercialização de passagens sem respaldo legal e em condições consideradas precárias.

Sinart questiona funcionamento do local

Conforme o gerente-geral da Sinart, Selmo de Oliveira, o chamado Terminal do Coxipó funciona sem autorização legal ou processo licitatório que ampare sua operação.

Leia Também:  Mulher morre após ser esmagada por caminhonete enquanto retirava entulhos

Segundo ele, a Rodoviária Engenheiro Cássio Veiga de Sá é o único terminal oficialmente autorizado para atender linhas intermunicipais com origem, destino ou seção em Cuiabá, sendo o único apto a prestar o serviço de forma regular e segura.

Melhorias foram consideradas insuficientes

Durante a investigação, o Ministério Público realizou inspeções, audiências e reuniões com os órgãos envolvidos. Relatórios técnicos elaborados em 2024 e 2026 constataram que, embora algumas melhorias tenham sido implementadas — como instalação de novos assentos, bebedouro e extintores de incêndio —, as intervenções não foram suficientes para eliminar as irregularidades encontradas.

Segundo o MP, apesar das notificações encaminhadas e das reuniões realizadas ao longo dos últimos anos, a Ager e a Sinfra não adotaram medidas efetivas para solucionar os problemas.

A própria Ager reconheceu, conforme consta na ação, que o ponto de embarque não possui autorização administrativa formal em vigor e que sua utilização ocorre por liberalidade administrativa, considerando a importância do local para os moradores da região do Coxipó.

Mais de 3 mil passageiros por mês

O Ministério Público destaca que o espaço recebe, em média, mais de 3 mil usuários por mês.

Mesmo reconhecendo a relevância do ponto de embarque para a população, o órgão sustenta que a continuidade do funcionamento deve obedecer às normas previstas no marco regulatório do Sistema de Transporte Coletivo Rodoviário Intermunicipal de Passageiros, garantindo segurança, acessibilidade e condições adequadas de atendimento.

Leia Também:  Homem dorme com partes íntimas expostas dentro de veículo em avenida de MT

Ager diz que local não é terminal rodoviário

Em nota, a Ager-MT afirmou que o chamado “Terminal do Coxipó” não possui, tecnicamente, a condição de terminal rodoviário, sendo apenas um ponto de embarque e desembarque utilizado pelas empresas do transporte intermunicipal.

Segundo a agência, sua competência se restringe à fiscalização das operações realizadas pelas empresas de transporte, não abrangendo a infraestrutura do imóvel.

A Ager destacou ainda que o espaço é privado e não integra a concessão das rodoviárias estaduais administradas pela Sinfra, motivo pelo qual não possui competência legal para exigir obras, adequações estruturais ou melhorias nas instalações.

A agência informou ainda que a denominação “Terminal do Coxipó” permanece sendo utilizada apenas por tradição e facilidade de identificação pela população, mas que, sob o aspecto técnico e regulatório, o local não se enquadra como terminal rodoviário estadual.

Agora, caberá ao Poder Judiciário analisar o pedido do Ministério Público, que busca obrigar os órgãos responsáveis a promoverem a regularização completa da estrutura ou, caso isso não seja possível, determinar a interrupção das atividades até que o espaço ofereça condições adequadas de segurança e funcionamento aos usuários.

Jornalista: Luan Schiavon

📲 Clique aqui e receba notícias do VOZMT no seu celular

Continue Reading

POLÍTICA MT

POLICIAL

MATO GROSSO

MUNICÍPIOS

MAIS LIDAS DA SEMANA