Rasgou o verbo e saiu ileso

Fez barulho na convenção, mas não caiu: Dilmar continua líder do governo na ALMT

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O deputado estadual Dilmar Dal Bosco (União) continuará como líder do governo do governador Otaviano Pivetta (Republicanos) na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). A permanência foi definida após conversas entre o parlamentar e o secretário-chefe da Casa Civil, Adejaime Ramos, durante o retorno dos trabalhos legislativos.

A continuidade de Dilmar na liderança chegou a ser colocada em dúvida após a convenção estadual do União Brasil, realizada em 30 de julho. O encontro foi marcado por forte disputa interna sobre o posicionamento do partido nas eleições deste ano.

Durante a convenção, Dilmar criticou integrantes da própria legenda que decidiram apoiar Pivetta em vez de defender uma candidatura própria do União Brasil ao Governo de Mato Grosso, tendo o senador Jayme Campos como possível nome.

Na presença do ex-governador Mauro Mendes, o deputado afirmou que era a primeira vez que presenciava “um partido trair o partido”. A declaração provocou reação entre os convencionais e foi seguida por aplausos.

Após a repercussão, Dilmar chegou a declarar que deixaria nas mãos de Pivetta a decisão sobre sua permanência na liderança do governo na Assembleia. Com a retomada das atividades parlamentares, entretanto, a situação foi resolvida.

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Segundo o deputado, Adejaime Ramos o procurou e confirmou que ele permaneceria na função, sem qualquer tipo de retaliação pelas declarações feitas durante a convenção.

“Nessa quarta-feira eu tive conversas com o Adejaime. Ele mesmo me convidou e anunciou que eu seguiria no cargo, sem nenhum problema. Não foi me pedido nada, nem retaliação. As minhas críticas foram direcionadas ao partido, ficaram nas convenções”, afirmou Dilmar.

Divergência ficou dentro do partido

A declaração de Dilmar ocorreu em meio ao racha interno do União Brasil sobre o projeto eleitoral para 2026. Enquanto o grupo ligado a Mauro Mendes defendia a aliança com Pivetta, aliados de Jayme Campos defendiam que o partido tivesse candidatura própria ao Governo de Mato Grosso.

Mesmo diante da repercussão, Dilmar afirmou que não pretendia se desculpar pelas declarações. Para o parlamentar, as divergências fazem parte da disputa interna e não significam necessariamente uma ruptura entre os integrantes da legenda.

O deputado também destacou sua trajetória dentro do grupo político para justificar o posicionamento. Filiado desde os tempos do PFL, passando pelo DEM até a criação do União Brasil, Dilmar afirmou ter uma relação histórica com a legenda e demonstrou preocupação com os rumos do partido no Estado.

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“Estamos indo para um caminho do partido acabar dentro do estado de Mato Grosso”, declarou.

Com a confirmação da permanência, Dilmar segue responsável pela articulação entre o Executivo estadual e os deputados da base governista na Assembleia Legislativa, apesar das divergências públicas manifestadas durante a convenção do União Brasil.

Jornalista: Luan Schiavon

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ATÉ ZUNIL

Cidade de 2,9 mil habitantes libera mais R$ 450 mil para festival após Justiça barrar show de R$ 500 mil

Enquanto faltam pouco mais de duas semanas para o fim do mês, a Prefeitura de Tesouro decidiu manter o espetáculo. E não é qualquer espetáculo.

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A Prefeitura de Tesouro, município de Mato Grosso com população estimada em apenas 2.935 habitantes, autorizou mais R$ 450 mil em novas despesas para a realização da 24ª edição do Festival de Praia. A decisão ocorre poucos dias depois de a Justiça anular um contrato de R$ 500 mil para um show da dupla Edson & Hudson.

Os novos gastos foram publicados nesta quinta-feira (13) no Jornal Oficial dos Municípios de Mato Grosso e autorizados pelo prefeito João Isaack Moreira Castelo Branco (PSB).

Do total, R$ 395 mil serão destinados aos cachês de três atrações musicais.

A dupla Rick & Renner receberá R$ 280 mil. O grupo de pagode Tô Te Querendo foi contratado por R$ 50 mil, enquanto o DJ Wam Baster receberá R$ 65 mil.

Na matemática simples, somente os três cachês representam aproximadamente R$ 134 por habitante de Tesouro.

É dinheiro público transformado em entretenimento.

E o show que a Justiça cancelou?

O novo pacote de despesas chama ainda mais atenção porque ocorre praticamente na sequência de uma decisão judicial que barrou outro contrato milionário.

No dia 6 de agosto, a Vara Única de Guiratinga declarou a nulidade absoluta do contrato de R$ 500 mil firmado para a apresentação de Edson & Hudson. A decisão foi tomada na Ação Popular nº 1000355-91.2026.8.11.0036 e teve efeitos retroativos à assinatura do contrato, realizada em 30 de março.

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O show estava previsto para o dia 22 de agosto e acabou cancelado.

Dois dias depois, em 10 de agosto, o município formalizou o distrato com a empresa responsável pela contratação da dupla.

Mas, aparentemente, o cancelamento de meio milhão não significou o fim da festa.

No dia 12, a prefeitura autorizou as novas despesas. No dia seguinte, os atos foram publicados oficialmente.

Pão e circo com dinheiro público?

A contratação das atrações ocorreu por inexigibilidade de licitação, mecanismo previsto na legislação para situações em que a competição é considerada inviável, como determinadas contratações de artistas.

Além dos cachês, a Prefeitura de Tesouro também autorizou mais R$ 55 mil para a contratação da Eringer Engenharia Ltda., responsável por serviços de prevenção e segurança contra incêndio, formação de brigada e instalação dos equipamentos necessários para o festival.

Somados, os novos gastos chegam a R$ 450 mil.

E a pergunta inevitável é: em uma cidade com menos de 3 mil moradores, qual é a prioridade?

Festival, obviamente, faz parte da cultura e do lazer. Ninguém questiona que a população tenha direito a diversão. O problema começa quando os valores chamam atenção e surgem justamente após a Justiça derrubar um contrato anterior de meio milhão de reais.

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A conta chega para quem?

Tesouro tem população estimada em 2.935 habitantes.

É uma cidade pequena, onde cada real do orçamento público deveria ser acompanhado com lupa.

Enquanto isso, apenas os três novos cachês autorizados para o festival equivalem a cerca de R$ 134 para cada morador.

Não significa, naturalmente, que cada cidadão esteja pagando diretamente esse valor. Mas a proporção ajuda a dimensionar o tamanho da despesa para um município de pequeno porte.

Depois de um contrato de R$ 500 mil ser considerado nulo pela Justiça, a prefeitura poderia simplesmente reduzir o tamanho da festa?

Preferiu não.

Trocou uma atração por outras três e manteve a engrenagem do entretenimento funcionando.

No velho roteiro do pão e circo, o povo ganha o espetáculo e o poder administra a conta.

Em Tesouro, pelo menos desta vez, o espetáculo promete ser grande. A pergunta é se a conta também será.

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