Francisco Sales D'Almeida

O comprador B2B mudou. Sua estratégia de vendas mudou no mesmo ritmo?

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Durante muitos anos, a transformação das vendas B2B foi impulsionada pela tecnologia. Surgiram CRMs mais inteligentes, ferramentas de automação, plataformas de inteligência comercial e soluções de Revenue Operations que aumentaram significativamente a produtividade das equipes comerciais.

 

Mas uma mudança recente pode ter um impacto ainda maior: a Inteligência Artificial passou a fazer parte da jornada de compra do cliente.

Se antes a IA era utilizada principalmente pelas empresas para vender melhor, agora ela também está sendo utilizada pelos compradores para comprar melhor.

Essa inversão muda profundamente a dinâmica das vendas consultivas de soluções SaaS.

Da assimetria de informação ao comprador hiperinformado

Há cerca de dez anos, a primeira reunião comercial costumava ser o momento em que o cliente conhecia o mercado.

Era comum que o vendedor apresentasse as principais alternativas, explicasse diferenças entre produtos e conduzisse praticamente toda a educação do comprador.

Hoje, essa realidade praticamente desapareceu.

Antes mesmo do primeiro contato comercial, os compradores pesquisam avaliações, assistem a demonstrações, consultam comunidades, analisam concorrentes e utilizam ferramentas de IA generativa para acelerar a compreensão do problema e identificar possíveis fornecedores.

Na prática, o vendedor deixou de ser a principal fonte de informação.

Seu papel passou a ser outro: ajudar o cliente a interpretar informações, reduzir riscos e tomar decisões com maior segurança.

O que revela o estudo da McKinsey

Um estudo recente da McKinsey mostra que a IA generativa deixou de ser uma tecnologia experimental para se tornar parte da rotina das empresas.

Segundo a pesquisa, 78% das organizações já utilizam IA em pelo menos uma função de negócio, um crescimento expressivo em relação aos anos anteriores. Entre as áreas com maior adoção está justamente Marketing e Vendas, refletindo tanto o uso por empresas fornecedoras quanto a mudança no comportamento dos compradores.

Embora o levantamento tenha como foco a adoção corporativa da IA, ele evidencia uma tendência importante: profissionais de compras e executivos de negócio já convivem diariamente com ferramentas capazes de pesquisar mercados, comparar soluções, resumir documentos, analisar propostas e apoiar decisões.

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Isso significa que o cliente chega à primeira reunião muito mais preparado do que há poucos anos.

A consequência é direta: reuniões comerciais que antes eram dedicadas à apresentação do produto agora precisam gerar insights estratégicos e discutir impacto para o negócio.

Cinco mudanças que redefiniram as vendas SaaS

O vendedor deixou de vender informação

Informação virou commodity.

Valor passou a significar contexto.

Empresas que continuam baseando suas vendas apenas em apresentações institucionais tendem a perder relevância diante de compradores que já conhecem boa parte do mercado.

O processo de compra ficou mais complexo

As decisões deixaram de ser individuais.

Em vendas enterprise, é comum envolver áreas de negócio, TI, Segurança da Informação, Jurídico, Compras, Finanças e patrocinadores executivos.

Mais do que convencer uma pessoa, vender passou a exigir alinhamento entre diferentes interesses.

ROI tornou-se a principal linguagem das vendas

Em um cenário econômico mais criterioso, compradores não querem apenas conhecer funcionalidades.

Eles querem entender:

  • Quanto tempo leva para implementar?
  • Qual o retorno esperado?
  • Como reduzir riscos?
  • Qual será o impacto financeiro da decisão?

Quanto mais objetiva for essa resposta, maiores as chances de sucesso.

Customer Success passou a influenciar a decisão de compra

Em empresas SaaS maduras, Customer Success participa do processo comercial antes mesmo da assinatura do contrato.

Isso aumenta a confiança do comprador e demonstra preocupação com a geração de resultados, e não apenas com o fechamento da venda.

IA aumenta produtividade, mas não substitui confiança

Ferramentas de IA já conseguem preparar reuniões, pesquisar contas, gerar propostas, resumir conversas e sugerir próximos passos.

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Esses ganhos de produtividade são reais.

Entretanto, vendas complexas continuam exigindo negociação, construção de consenso e relacionamento — atividades em que a confiança humana permanece decisiva.

O que esperar até 2028

As mudanças devem acelerar.

Nos próximos dois anos, veremos três movimentos principais.

1. A IA será o primeiro ponto de contato do comprador com o mercado.

Cada vez mais executivos iniciarão sua jornada perguntando a ferramentas como ChatGPT, Gemini ou Perplexity quais fornecedores resolvem determinado problema, antes mesmo de visitar sites ou conversar com vendedores.

2. O papel do vendedor será cada vez mais estratégico.

Quem apenas apresenta funcionalidades perderá espaço.

Quem conecta tecnologia aos objetivos de negócio ganhará relevância.

3. Conteúdo e autoridade influenciarão mais do que prospecção em volume.

À medida que compradores pesquisam de forma independente, empresas que produzem conteúdo de qualidade, compartilham casos de sucesso e demonstram conhecimento de mercado tendem a ser consideradas mais cedo no processo de compra.

Conclusão

A transformação das vendas B2B não está acontecendo apenas dentro das áreas comerciais.

Ela está acontecendo, principalmente, do outro lado da mesa.

O comprador mudou.

Ele pesquisa mais, compara melhor, utiliza Inteligência Artificial e chega às reuniões com expectativas muito mais elevadas.

Para as empresas de SaaS, isso significa que o diferencial competitivo não será apenas ter um bom produto ou uma equipe comercial eficiente.

Será combinar tecnologia, inteligência de dados e uma abordagem genuinamente consultiva, capaz de transformar informação em decisões de negócio.

No fim, a IA não elimina a necessidade do vendedor.

Ela elimina a necessidade do vendedor que apenas transmite informações.

E essa talvez seja a mudança mais importante das vendas B2B na última década.

Artigo de Francisco Sales D’Almeida / Almeida Sales Consultoria

https://www.linkedin.com/in/francisco-d-almeida-1b0395/

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O futuro do trabalho em plataformas: novo cenário internacional em debate

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A tecnologia trouxe mudanças para o mundo do trabalho. Com elas, surgiram novas demandas relacionadas à garantia dos direitos fundamentais e à necessidade de proteção de novas formas de prestação de serviços, como ocorre com os trabalhadores que atuam em plataformas digitais.

Para lidar com essa questão, a comunidade internacional estabeleceu parâmetros voltados à promoção do Trabalho Decente na Economia de Plataformas. A aprovação da Convenção nº 193 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), durante a 114ª Sessão da Conferência Internacional do Trabalho, representa um acontecimento que, embora não produza efeitos jurídicos imediatos no Brasil, pode influenciar a forma como o tema será analisado.

A nova Convenção estabelece que os Estados-membros devem assegurar aos trabalhadores e trabalhadoras de plataformas digitais o pleno exercício dos direitos fundamentais do trabalho, incluindo a liberdade sindical, a negociação coletiva, a proteção contra a discriminação, a erradicação do trabalho infantil e do trabalho forçado, além da garantia de um ambiente de trabalho seguro e saudável, o que envolve também a proteção contra acidentes e assédios.

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Diante dessa importante inovação normativa, o Ministério Público do Trabalho (MPT) e a Defensoria Pública da União (DPU) apresentaram manifestações nos processos que discutem o reconhecimento do vínculo de emprego entre trabalhadores e trabalhadoras de plataformas digitais e empresas do setor, informando que o Brasil votou favoravelmente à adoção da Convenção.

Considerando a possível repercussão da norma internacional, o Ministro Edson Fachin, Presidente do STF, retirou de pauta o julgamento do RE 1.446.336 (Uber), de sua relatoria, e da Rcl 64.018 (Rappi), de relatoria do Ministro Alexandre de Moraes, determinando a intimação das partes e dos amici curiae para que se manifestem sobre o tema.

Com isso, a definição da matéria deverá ocorrer apenas no segundo semestre de 2026, após o término do recesso forense. Vale lembrar que as Convenções da OIT não produzem efeitos automáticos no Brasil.

Para integrarem o ordenamento jurídico nacional, precisam ser aprovadas pelo Congresso Nacional por meio de Decreto Legislativo, ratificadas pelo Presidente da República e, posteriormente, promulgadas por Decreto presidencial, passando então a produzir efeitos internos.

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O debate sobre o trabalho em plataformas permanece aberto e segue relacionado às transformações que atingem o mercado de trabalho e as formas de organização produtiva nas próximas décadas.

(*) Eduardo Antunes é Advogado no escritório Stamato Advogados, Professor de Direito do Trabalho e Processo do Trabalho no Centro Universitário Brasileiro de Educação (UniCBE), pós-graduado em Direito do Trabalho e Direito Previdenciário (PUC-MG), Pós-graduado em Direito Constitucional (UCaM) e Mestre em Direito Constitucional do Trabalho (UNESA).

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